1. SEES 15.8.12

1. VEJA.COM
2. CARTA AO LEITOR  DESATAR O N BRASIL
3. ENTREVISTA  ANNE LAUVERGEON  MAIS ATMICA DO QUE NUNCA
4. LYA LUFT  MINISTROS E MEDALHAS
5. LEITOR
6. BLOGOSFERA
7. EINSTEIN SADE  MIOMA NO  SINNIMO DE IMPEDIMENTO PARA ENGRAVIDAR

1. VEJA.COM
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br 

NO CAMINHO DE ELVIS
Aos 35 anos da morte de Elvis Presley, uma equipe da revista e do site de VEJA visitou os Estados Unidos para uma imerso na imensa herana deixada por esse que foi um dos maiores dolos da msica americana. O resultado da viagem se traduz em 24 vdeos, galerias de fotos e um dirio de bordo da reportagem, recheado de curiosidades e endereos das cidades visitadas.
Vdeos em destaque
 Em Nashville e Memphis, os pequenos estdios onde Elvis gravava
 A casa onde o msico nasceu. em Tupelo. E a famosa manso Graceland, onde ele morou no pice da fama
 Uma pergunta para...  O msico Trombone Shorty fala sobre a msica de Elvis de que ele mais gosta
 VEJA Recomenda  Os artistas de Nova Orleans que  preciso conhecer
Em www.veja.com.br/extras 

REALIDADES PARALELAS
rea controversa, alvo de muitas especulaes, a discusso sobre universos paralelos gradativamente deixa o reino da fantasia para ganhar o respeito da cincia.  o que mostra A Realidade Oculta, o novo livro do americano Brian Greene, um dos maiores especialistas em cosmologia e fsica de partculas do mundo. Em entrevista ao site de VEJA, Greene explica como  possvel que existam outros universos idnticos ao nosso, ou completamente diferentes, e o que os cientistas esto fazendo para detect-los.

A GRANDE FAMLIA DAS 9
A famlia catica e divertida do ex-jogador Tufo  um importante ingrediente do sucesso da novela Avenida Brasil. O ncleo renova uma tradio da teledramaturgia brasileira. Reportagem do site de VEJA apresenta um a um os personagens desse grande cl e relembra outras novelas com famlias queridas pelo pblico.


2. CARTA AO LEITOR  DESATAR O N BRASIL
     Demorou a cair a ficha. Mas, finalmente, caiu. Uma reportagem desta edio de VEJA revela os prximos passos do governo de Dilma Rousseff para fazer as pazes com as leis econmicas  algo to necessrio quanto para engenheiros, arquitetos e projetistas de avies estar em harmonia com a lei da gravidade. O editor Otvio Cabral obteve o cronograma das providncias que o Palcio do Planalto vai tomar nas prximas semanas. Elas so o resultado da constatao lgica que s o governo no tinha enxergado: esgotou-se o modelo de concesso de crdito barato subsidiado pelos impostos dos brasileiros que trabalham e secundado por intervenes estatais para segurar o preo dos combustveis e controlar artificialmente a inflao. A presidente Dilma, que antes de agir ouviu um grupo seleto de grandes empresrios, optou por dar uma guinada e partir para outro caminho, que, em suas prprias palavras, tem como objetivo desatar o n Brasil.
     Pelo que conseguiu apurar o editor Otvio Cabral de fontes no Palcio do Planalto e no Ministrio da Fazenda, o governo Dilma vai privatizar estradas, ferrovias, portos, aeroportos e cortar impostos que hoje fazem do Brasil o pas das distores. O Brasil produz a energia mais barata do planeta e a fornece pelo preo mais alto na outra ponta. Suas empresas pagam salrios baixos em comparao com as de naes mais desenvolvidas, mas tm a folha de pagamento mais cara. Pelo que vi e ouvi sobre as mudanas, o governo entendeu que seu peso sobre os ombros da livre-iniciativa  o grande problema da economia brasileira, diz Cabral. O editor de VEJA notou, no entanto, que ainda h certo temor de falar a palavra privatizao, que foi demonizada sob Lula e por Dilma durante a campanha presidencial de 2010. O Palcio do Planalto fala em concesses  iniciativa privada, mas, na prtica, so privatizaes. As empresas privadas que ganharem as concesses podero aplicar o dinheiro arrecadado na operao nas prprias rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.  um grande passo na direo certa. Para obter no Congresso a aprovao definitiva das mudanas, a presidente Dilma Rousseff vai enfrentar resistncias bvias de setores de seu partido, o PT, e de outras foras reacionrias, em geral  esquerda do espectro poltico. Est a uma batalha para a qual a presidente vai precisar do apoio da opinio pblica. O de VEJA fica desde j aqui hipotecado.


3. ENTREVISTA  ANNE LAUVERGEON  MAIS ATMICA DO QUE NUNCA
A ex-presidente da maior empresa de tecnologia nuclear do mundo explica como evitar acidentes radioativos e conta que foi demitida por se negar a vender reatores  Lbia.
TATIANA GIANINI

Os franceses a apelidaram de LAtomique (A Atmica) por sua defesa incondicional da energia nuclear. A engenheira Anne Lauvergeon presidiu por uma dcada a Areva  empresa francesa que atua em todas as fases da produo de energia pela fisso dos tomos, da minerao de urnio  construo de reatores  e chegou a ser considerada uma das dez mulheres mais poderosas do mundo pela revista americana Forbes. Em junho de 2011, Anne foi afastada da estatal pelo presidente Nicolas Sarkozy. Recentemente, ela lanou o livro La Femme qui Rsiste (A Mulher que Resiste), em que conta sua trajetria profissional e as discusses com Sarkozy. Apesar dos recentes planos de reduo em alguns pases, a energia nuclear  segura e ter vida longa, diz a executiva de 52 anos.

Sua defesa apaixonada da energia nuclear perdeu mpeto aps o grave acidente na usina de Fukushima, no Japo, no ano passado? 
De forma alguma. Sigo defendendo a energia nuclear. Agora, tenho mais um motivo para insistir na ressalva, que sempre fiz, de que os reatores s devem ser montados em locais seguros. Confesso que, nos ltimos anos, fiquei um pouco preocupada com a popularidade exagerada conquistada por essa fonte de energia. Havia muita gente dizendo que a tecnologia nuclear pode ser desenvolvida para todos, em qualquer lugar e a custo baixo. Fui e sou totalmente contra essa postura. Fukushima  a prova de que a energia nuclear depende de um pr-requisito fundamental, a segurana. Defender o contrrio tornou-se invivel aps o acidente. Um pas que quer produzir energia pela fisso dos tomos precisa criar uma entidade muito forte com a misso de estabelecer e supervisionar as regras de segurana no setor, como ocorre na Frana e nos Estados Unidos. Essa entidade no era to forte no Japo.

Onde foi que os japoneses erraram? 
Os reatores nucleares costumam ser muito resistentes a terremotos. A usina japonesa, porm, no estava preparada para o tsunami provocado pelos tremores. A agncia de segurana nuclear do Japo falhou ao no exigir, como medida preventiva, a construo de um dique suficientemente alto para evitar a invaso da gua do mar. Se a barreira tivesse apenas 10 metros a mais, o mundo no teria ouvido falar de Fukushima. Em dezembro de 1999, a Frana quase enfrentou uma tragdia semelhante quando uma violenta tempestade inundou a usina de Blayais, perto da cidade de Bordeaux. O incidente no foi grave, mas levou os pases europeus a reavaliar os projetos de suas usinas nucleares para descobrir seus pontos fracos e se antecipar a eventuais problemas causados por eventos incomuns. Em Blayais, a soluo foi aumentar o tamanho do muro de proteo. As autoridades japonesas sabiam da experincia europeia, e poderiam ter aumentado o dique, uma medida relativamente barata. Se o Japo tivesse adotado os padres internacionais e as melhores prticas do setor, o acidente em Fukushima teria sido evitado.

Como garantir que as autoridades de um pas adotem os padres internacionais? 
Deve-se exigir transparncia total das empresas que operam os reatores. Todo e qualquer incidente, mesmo o mais insignificante, deve ser relatado ao pblico. No caso de problemas tcnicos,  possvel solicitar a ajuda da Agncia Internacional de Energia Atmica ou de empresas de outros pases. Algumas vezes, por orgulho nacional, um ou outro pas acaba no fazendo isso, o que pode aumentar o risco de um acidente. Por isso defendo a criao de um organismo de regulao internacional responsvel pela segurana de reatores no mundo todo, talvez vinculado s Naes Unidas. Se administradas corretamente, as usinas nucleares so muito seguras.

Em seu livro, a senhora conta que, quando estava  frente da Areva, sofreu presso do governo francs para vender reatores  Lbia logo depois de o presidente Nicolas Sarkozy assinar um acordo de cooperao nuclear com o ditador Muamar Hadafi, em 2007. Sarkozy nega. Como CEO de uma empresa de tecnologia nuclear, a senhora se considerava tambm responsvel por questes geopolticas? 
No se pode permitir o desenvolvimento de energia nuclear em um pas sem estabilidade poltica ou sem um governo racional. A Lbia de Kadafi no era racional, mas a opinio de Sarkozy era diferente da minha. O governo francs me pedia para oferecer reatores nucleares a Kadafi, e eu respondia com negativas. Kadafi podia ter uma boa relao com as potncias ocidentais naquele momento, mas para mim sempre foi claro que vender usinas nucleares no  como comercializar autopeas ou produtos de beleza.  preciso certificar-se de que o governo comprador tem um rgo regulador independente e que respeite os padres mundiais de segurana. O que aconteceria com o chefe da agncia reguladora de energia nuclear na Lbia se ele precisasse informar a Kadafi que sua usina seria desligada por questes de segurana? No melhor cenrio, essa pessoa seria presa. Na pior das hipteses, poderia ser executada. De qualquer forma, no teria poder de deciso algum. Por essa razo, era muito estranho para mim que o presidente Sarkozy no se preocupasse com isso. Contest-lo no foi bom para a minha carreira, mas estou certa de ter feito o melhor para o mundo.

Seguindo esse raciocnio, a senhora tambm no venderia um reator nuclear ao Ir? 
Nunca. Reatores nucleares devem ser vendidos apenas aos pases que aceitam o controle das Naes Unidas. O Ir no entra no jogo, e por isso eu jamais venderia um reator ao pas.

Por que a senhora saiu da Areva? 
Foi uma deciso tomada pessoalmente por Sarkozy, contra a vontade do conselho da empresa. Minha demisso foi poltica, porque o acidente em Fukushima provou que eu estava certa em minha tese de que a energia nuclear no deve ser vendida a qualquer pas sem a devida cautela. Sarkozy no gostou disso. Ele ento me disse que um presidente da Areva, assim como um presidente da Frana, no tem direito a trs mandatos. Eu respondi que a desculpa era formidvel, pois eu no sabia que as regras para chefiar a Areva estavam inscritas na Constituio francesa. Estava sendo irnica,  claro.

Como era sua relao com Sarkozy antes disso? 
No era ruim. Em 2007, quando ele foi eleito presidente, ofereceu-me o ministrio que eu quisesse durante sua gesto, mas no aceitei. Ele  muito passional e queria controlar tudo. Sarkozy sempre quis conduzir a Frana como se o pas lhe pertencesse. Para ele, a minha relao ruim com Henri Proglio, presidente da Electricit de France (EDF), j tinha se estendido por muito tempo.

A senhora  amiga de Franois Hollande, o novo presidente francs. Ele a convidou para participar de seu governo? 
Sou muito prxima de Hollande e fiquei muito feliz com sua vitria, porque acho que a Frana precisa de um presidente em sintonia com o seu povo. Quanto  possibilidade de haver um convite para mim, entendo que Hollande prefere ter um ministrio composto apenas de pessoas eleitas, o que no  meu caso. Eu sempre fui mais dedicada aos negcios do que  vida pblica. Sei um pouco de poltica porque, ao liderar uma empresa que cuidava de um tema to importante para os pases, como  o caso da energia, eu precisava lidar com polticos. Se Hollande me chamasse para ser ministra, eu aceitaria, mas existem tantos outros pedindo emprego. Eu no estou pedindo nada.

Hollande disse durante a campanha eleitoral que vai diminuir a participao da energia nuclear na matriz eltrica da Frana de 75% para 50% at 2025, seguindo uma tendncia mundial de suspender a construo de novos reatores. Qual sua opinio sobre isso? 
No passado, investir em energia nuclear foi a soluo encontrada pela Frana para no depender da importao de petrleo. Hollande afirmou que organizar um grande debate sobre o futuro da energia na Frana para saber qual  a opinio da populao sobre ter mais fontes de energia renovvel e sobre a possibilidade de explorar gs natural de xisto. Embora haja uma demanda muito grande por mais fontes de energia renovvel, elas so apenas parte da soluo. Mesmo que no futuro consigamos reduzir o consumo per capita de eletricidade e de combustveis, ainda vamos precisar de mais gs, mais fontes renovveis e mais reatores nucleares. A favor da energia nuclear conta o fato de ser uma das que menos emitem os gases de efeito estufa, como o dixido de carbono.

Como os pases mais pobres poderiam se beneficiar dessa fonte limpa de energia? 
A energia nuclear produz eletricidade barata, mas a implantao de uma usina exige investimentos considerveis. Pases pobres no tm condies de obter esse dinheiro. Uma opo seria a formao de consrcios, sob a gide de uma organizao ou autoridade internacional, dedicados a instalar usinas nucleares num pas e a partir dele distribuir a energia gerada s naes vizinhas. Essa seria uma soluo para o Oriente Mdio e para a frica, por exemplo, mas o pas que sediasse a usina precisaria obedecer aos parmetros de estabilidade e racionalidade que mencionei anteriormente. O Sudo, por exemplo, seria impensvel.

A energia nuclear, ento, veio para ficar? 
Desde os tempos de Thomas Edison, mais de 100 anos atrs, evolumos muito pouco na tecnologia de armazenamento de eletricidade de forma competitiva e econmica. O problema disso  que boa parte das fontes de energia renovveis, tidas como a soluo para os problemas do mundo,  intermitente, como a elica e a solar. Ainda no sabemos como guardar a eletricidade dessas fontes para us-las quando no houver vento ou sol. Por isso ainda vamos ter de utilizar a fisso dos tomos para suprir parte da demanda energtica por muito tempo. Existem apenas duas fontes renovveis que no so intermitentes: a biomassa, na qual se inclui o etanol de cana, e a hidreltrica, mas poucos pases tm condies de suprir toda a sua demanda com elas. O Brasil  uma fantstica exceo  regra, porque tem um potencial hidreltrico muito grande.

Como presidente da Areva, a senhora era frequentemente criticada por ambientalistas. Qual  sua relao com eles hoje? 
Tenho muitos amigos entre eles. Existem ambientalistas sensveis ao fato de que, embora a energia nuclear no seja a soluo absoluta,  ao menos uma parte dela. Da mesma forma, acho que eles j perceberam que as empresas de energia tradicionais no podem mais ignorar as fontes limpas. Essas companhias precisam dedicar parte de seus investimentos e de sua produo s fontes renovveis. Quando eu estava na Areva, batalhei para que a empresa atuasse no s na construo de reatores nucleares, mas tambm no desenvolvimento de turbinas de vento, clulas de hidrognio e usinas de biomassa. Esse  um assunto to premente para a presidente da Petrobras quanto para as empresas energticas francesas.

Depois de uma dcada no comando da Areva, quais so os seus planos profissionais? 
Continuo achando o setor em que trabalhei nos ltimos tempos fascinante, e hoje tenho um fundo de investimentos em eficincia energtica, o A2i. Para mim, o futuro consiste em achar solues para o desafio de ter gua, comida e energia suficientes para a populao mundial. Alm disso, escrevi o meu livro para mostrar um pouco da minha trajetria como mulher em um cargo de liderana. Sou uma das fundadoras do Womens Forum for the Economy & Society (Forum das Mulheres para a Economia e a Sociedade), dedicado a debater os desafios das mulheres na sociedade, na poltica e no mercado de trabalho.

Desde que deixou de ser A Atmica, como a chamavam os franceses, a senhora est tendo mais tempo para os seus filhos? 
Estou muito feliz. Agathe, minha filha mais velha, de 12 anos, me acompanha em diversas viagens internacionais. Alis, meus dois filhos nasceram quando eu lidava com energia nuclear e so totalmente normais.


4. LYA LUFT  MINISTROS E MEDALHAS
     Estes so dias de competio, superao, decepes e premiaes, na Olimpada esportiva, mas tambm no enfrentamento entre justia e impunidade no triste processo chamado mensalo que nos aflige. Ainda longe do final, quero, aqui do meu ponto de vista, conceder uma medalha de ouro ao procurador-geral da Repblica, Roberto Gurgel, com o respeito, a admirao e o reconhecimento de uma brasileira preocupada. Medalha pela serenidade, compostura, preciso, tecnicidade jurdica, evidncias tantas vezes comprovadas, citadas em dia e pgina. Pela coragem, que no h de ser pouca. Pela possibilidade de que prevalea a justia, punindo-se culpados e absolvendo-se inocentes.
     Sou filha de professor de direito e diretor de faculdade de direito at sua prematura morte. A Senhora Justia era personagem em nosso cotidiano: l estava na escrivaninha dele uma estatueta de prata da referida dama vendada, em uma das mos a balana, na outra a espada. Andam meio esquecidas por aqui, ela e suas parceiras Decncia, Integridade, Bravura. O resultado da luta aqui travada agora, porm, pode curar feridas, e abrir caminhos para a renovao neste pas.
     Agora,  Olimpada esportiva: admirvel a organizao britnica. Solenidade e bom humor discreto e elegante. Belssima a abertura, e motivo de orgulho nosso a ex-ministra Marina Silva ser uma das personalidades mundiais ligadas  paz e  preservao da natureza a segurar a bandeira desse evento. (Infelizes comentrios de nossas autoridades nem merecem ser aqui citados: no gasto bom papel com tema ruim.) Esperemos que na Olimpada esportiva do Brasil, em quatro anos, a organizao seja parecida, dispensados os comentrios e atitudes desastrosas que nos tornariam pequenos aos olhos do mundo.
     Nosso pas no est se saindo muito bem at agora:  de espantar que nossos atletas consigam medalhas de bronze e alguma de ouro. Enquanto escrevo, uma segunda dourada aparece, um atleta no muito badalado, que superou as nossas falhas com suas virtudes: transbordando decncia, disciplina, humildade e uma enorme bravura. Agradecendo, pediu ao Brasil mais oportunidades e estmulo, mais cuidado com os jovens atletas, coisas que no recebem nos duros anos de sua preparao: muitos e excelentes centros de treinamento, preparadores bem pagos, timo atendimento mdico, os melhores psiclogos que os ajudem a enfrentar, alm do sobre-humano esforo fsico, o forte desgaste emocional. Quase no vi atletas estrangeiros deprimidos ao obter um bronze, conscientes de estarem entre os trs melhores do mundo em sua categoria, mas muitos dos nossos ficaram abatidos recebendo a mesma medalha: talvez a gente s os incentive a valorizar o mximo. Como o pai que no admite que seus filhos no sejam em tudo os primeiros.
     O que o Brasil tem conseguido nesta Olimpada  muito se comparado ao pouco que oferecemos. Nossos adversrios vm de pases que, mesmo pobres alguns, os tratam como prncipes. No vemos atletas estrangeiros procurando oportunidades no Brasil, mas os nossos muitas vezes precisam sair daqui para buscar condies de trabalho, reconhecimento, crescimento e sucesso. Assim, muitos jovens intelectuais, cientistas, universitrios, acabam indo embora, pois aqui no encontram estmulo nem trabalho  sua altura. Ou so aplaudidos no momento do sucesso, da descoberta, da medalha, e depois esquecidos. A busca da excelncia em todos os campos da atividade humana, desde a dignidade bsica at a educao, a sade, a segurana, oportunidades  hoje incluindo os esportes , no tem sido prioridade nossa.
     Voltando aos ministros do Supremo: neles est nossa esperana de que esses que por anos a fio macularam nossa ptria sejam punidos, se provada a sua culpa. Poderemos ento respirar com peito mais desafogado e receber, como povo e como indivduos, uma verdadeira medalha de ouro. O fardo que carregamos, ns que nos informamos, nos preocupamos, e lutamos pelo bem do Brasil, tem sido pesado demais.


5. LEITOR
VINGANA EM AVENIDA BRASIL
VEJA nos brinda com a reportagem A emoo primordial (8 de agosto), sobre um dos assuntos mais comentados em bares, em redes sociais e at no ambiente de trabalho: a trama principal da novela Avenida Brasil. Parabns ao jornalista Marcelo Marthe.
SIDNEI PEREIRA 
Diadema, SP

Todo mundo tem um pouco de Carminha (Adriana Esteves) e acho que a maioria tem um pouco de Nina, infelizmente com sede de fazer justia com as prprias mos.
LIESSE COSTA
Visconde do Rio Branco, MG

Nunca me deliciei com o prato frio da vingana, pois a crena religiosa na qual fui criada me faz acreditar que a justia divina pode ser tardia, mas  implacvel.
ELIZANGELA MOURA PEREIRA
Braslia, DF

VEJA utiliza muito bem a comoo nacional provocada por uma novela para lidar com o discutido tema da vingana. Seria o vingador, carregado de dio, um ser feliz ou, como tudo indica, um sofredor com olhar exclusivamente voltado para o passado?
JOS WAGNER CABRAL DE AZEVEDO 
Tamba, SP

A trama de Joo Emanuel Carneiro consegue mesmerizar o Brasil inteiro. A novela provoca, alegra, empalidece, entusiasma, desconforta, questiona e pe  prova nossos prprios valores morais em busca de uma opinio implacvel sobre a retaliao e nosso comportamento diante dela. Apesar da ousadia em trazer um tema to polmico e delicado em horrio de ampla abertura, o mrito do autor e da equipe  conseguir tornar a saga central de Nina apenas mais um dos motivos para assistir  novela, pois o grande destaque da trama  a atuao impecvel de Adriana Esteves como Carminha.
DANIEL FERNANDES MELLO DE OLIVEIRA
Natal, RN

O nico captulo imperdvel de uma novela  o ltimo. Para quem no a acompanha, ficar a certeza de no ter perdido nada. Para quem a acompanha, a certeza de que poderia ter aproveitado aquele tempo todo para ler um livro, fazer um curso ou at mesmo economizar energia.
ROGRIO SUTTO 
So Paulo, SP

Soube de algumas criticas  reportagem de capa de VEJA. Sou leitora assdua da revista e penso que essa capa revela muito mais os interesses de grande parte dos brasileiros  oito em cada dez  do que da prpria revista. Acho irritante ver que as pessoas do tanta importncia  novela, a ponto de parar atores nas ruas para dar lies de moral. Em vez de julgar e condenar a revista  ou mesmo a novela , seria mais til que cada um julgasse sua prpria conduta a partir da discusso que a reportagem props.
LAIS BOVETO
Maring, PR

JULGAMENTO DO MENSALO
Com o semblante tranquilo e o libelo acusatrio bem fundamentado, o procurador-geral da Repblica, Roberto Gurgel, escancarou o balco de negcios petista (Maculou-se a Repblica, 8 de agosto). Dos corruptos aos corruptores, dos executores ao mentor, todos foram expostos  menos aquele que levou para dentro do Palcio do Planalto essa corja de bandidos.
JOS FELIZ GAMA 
So Paulo, SP

Que o embate no STF sirva de lio para a firme conduo da causa at a deciso final, seja ela qual for, porquanto, como destacou VEJA na brilhante Carta ao Leitor da edio 2280, contra as decises do Supremo Tribunal Federal no cabem recursos, porque so definitivas.  imprescindvel que os ministros tenham em mente o precioso pensamento de Robert Jackson, ex-juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos: Ns da Suprema Corte no damos a palavra final porque somos infalveis. S somos infalveis porque damos a palavra final.
ELISEU MOTA JNIOR
FRANCA, SP

O que mais se pode esperar, se o prprio ex-presidente Lula, em vez de exigir que o mensalo seja definitivamente passado a limpo e os culpados punidos, doa a quem doer, vem nesses anos todos negando-o, zombando dele, defendendo com toda a sua alma os rus e colocando-se acima da Justia, do pas e do povo?
FERNANDO C. MAURO
Belo Horizonte, MG

Apavorante a possibilidade de que, no Brasil, sejam validados a corrupo parlamentar, o peculato, a corrupo eleitoral, a sonegao tributria. J banalizamos tais prticas, e, se institucionalizadas, o que restar para esta nao? Lembremos ento Sergio Porto: Restaure-se a moralidade ou locupletemo-nos todos!. E salve-se quem puder.
LUIZ ANTONIO JARDIM
Macei, AL

No basta que o procurador-geral da Repblica fundamente a participao evidente de Jos Dirceu (embora seja um bom comeo).
ANTONIO S. MENDONA
Arquimes, RO

DINHEIRO DA CRUZ VERMELHA
Sou brasileiro e fiquei vermelho de vergonha ao ler a reportagem S.O.S. Cruz Vermelha (8 de agosto). O que estamos vendo  produto da impunidade. At quando?
ADEMAR MONTEIRO DE MORAES 
So Paulo, SP

Fiquei revoltada ao saber das denncias de irregularidades na Cruz Vermelha do Brasil. Como pode algum se aproveitar das tragdias e catstrofes humanas, desviando o dinheiro que salvaria a vida de adultos e crianas? Isso  o mesmo que assassinato. Como se no bastasse o espetculo de corrupo que muitos de nossos polticos esto protagonizando, seremos mais uma vez mundialmente envergonhados por brasileiros que esto maculando a imagem sagrada da Cruz Vermelha. Fico assustada. O que de pior ainda pode acontecer no Brasil?
MEIRE SONNI
Alto Paran, PR

Fui voluntria da Cruz Vermelha quando morava na Espanha, e sinto vergonha ao ver o comportamento da Cruz Vermelha brasileira. Nunca consegui ser voluntria no Brasil. As pessoas parecem ser donas da entidade e no deixam ningum se aproximar. Agora consigo entender o porqu. Ignoram totalmente os princpios de humanidade, imparcialidade, neutralidade, independncia, voluntariado, unidade e universalidade dessa grandiosa instituio. A Cruz Vermelha em Genebra deveria expulsar esses maus representantes e extinguir sua sede no Brasil.
VERENA DE MELO FREIRE
Salvador, BA

PATRUS ANANIAS
Sobre a carta da assessoria do ex-ministro Patrus Ananias (Leitor, 8 de agosto), informamos que: 1) O registro da candidatura do ex-ministro permanece envolto em uma srie de suspeitas. No que diz respeito  relao do ex-ministro e de sua empresa de consultoria com a Fiesp, registramos que, ao contrrio do afirmado, deciso do Supremo Tribunal Federal, manifestada pelo ministro Seplveda Pertence, confirma que a base territorial de uma federao no  definida pelo nome, mas pela base geogrfica dos sindicatos a ela pertencentes. Diversos sindicatos mineiros so filiados  Fiesp; 2) No  verdade que no dia 2 de junho a candidatura do ex-ministro estivesse sendo cogitada. Basta consultar a imprensa para confirmar o que o pas todo sabe: o ministro tornou-se candidato de forma imprevista apenas no fim do ms. O dia 2 de junho era um sbado, dia sem expediente na Fiesp, o que impediria que qualquer deciso administrativa fosse formalizada na data; 3) Se o ex-ministro participou da reunio do conselho da Fiesp apenas para se despedir no dia 5 de julho, por que a entidade no apresenta a ata da reunio?; 4) No  verdade que o ex-ministro nunca tenha tido suas contas questionadas. As contas da sua ltima campanha eleitoral, em 2010, foram rejeitadas pelo TSE por irregularidades gravssimas como a no comprovao de mais de 7,7 milhes de reais (precisamente RS 7.778.742,98), conforme despacho do ministro Gilson Dipp, do TSE; 5) Ao apresentar, por determinao da Justia, os balancetes da sua empresa de consultoria, ficou provado que, ao contrrio do que havia informado antes, ele era, sim, remunerado, ainda que de forma indireta, pela Fiesp  o que confirmou a reportagem da VEJA; 6) Na ltima semana, surgiram novos indcios de irregularidades. Descobriu-se que a empresa de consultoria do ex-ministro prestou servios para entidades que receberam recursos pblicos em prazo vedado pela lei. Apesar de valores pequenos, tal fato agride a legislao em vigor; 7) Registre-se ainda que a Justia negou registro do candidato Altair Gomes, por exemplo, sob alegao de que este teve suas contas de campanha reprovadas, o mesmo caso em que se encontra a candidatara do ex-ministro. O PSD continuar pedindo  Justia que investigue todos os indcios de irregularidades, na certeza de que a lei deve ser seguida por todos. O status de ex-ministro e o apoio do Palcio do Planalto no podem ser obstculos para o cumprimento da legislao.
ALEXANDRE SILVEIRA
Deputado federal licenciado (PSD-MG) 
Secretrio-geral do PSD-MG e do diretrio local de Belo Horizonte (MG)

OLIMPADA DE 2012
Excelente a reportagem O jud faz escola (8 de agosto), sobre o desempenho dos atletas brasileiros nessa modalidade durante a Olimpada de Londres. Nossa medalhista campe, a judoca Sarah Menezes, atleta da Marinha do Brasil, conquistou o primeiro ouro feminino da modalidade na histria esportiva do pas.
CARLOS ANTONIO COIMBRA
Natal, RN

Sarah Menezes conquista o ouro na Olimpada e revela para o Brasil, atravs de seu sorriso e de sua garra, um pouco da esplendorosa alegria de um povo cuja principal razo de viver  a busca da felicidade.
HERCULANO MORAES
Teresina, PI

A cobertura dos Jogos Olmpicos pela imprensa brasileira com algumas excees, e felizmente VEJA est entre elas  d uma pobre ideia da sua capacidade de entender o que , ou deveria ser, o olimpismo. Deveriam falar mais de homens e mulheres que se esforam para ultrapassar os seus limites, de uma festa mundial do esporte, mas o que temos  uma triste demonstrao de nacionalismo infantil.
HERVE THERY
So Paulo, SP

PARA SE CORRESPONDER COM A REDAO DE VEJA: as cartas para VEJA devem trazer a assinatura, o endereo, o numero da cdula de identidade e o telefone do autor, Enviar para: Diretor de Redao, VEJA  Caixa Postal 11079  CEP 05422-970  So Paulo  SP; Fax (11) 3037-5638; e-mail: veja@abril.com.br. Por motivos de espao ou clareza, as cartas podero ser publicadas resumidamente. S podero ser publicadas na edio imediatamente seguinte as cartas que chegarem  redao at a quarta-feira de cada semana.


6. BLOGOSFERA
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

RADAR
LAURO JARDIM
ELEIES 2012
A choradeira  generalizada: com exceo de algumas cabeas coroadas no Rio de Janeiro, em So Paulo e Minas Gerais, est difcil encontrar doador para campanhas neste ano. www.veja.com/radar 

COLUNA 
AUGUSTO NUNES
ADVOGADOS
Os 33 bacharis a servio dos mensaleiros so os mais caros do pas. Quase todos especializados em tirar da cadeia delinquentes sem chances no dia do Juzo Final.  natural perguntar: quem vai bancar os honorrios dos carrascos da verdade? www.veja.com/augustonunes 

SOBRE PALAVRAS 
SRGIO RODRIGIJES
ARGOLAS
As argolas  que, enquanto ningum prestava muita ateno, transformaram Arthur Zanetti no novo heri olmpico brasileiro  devem seu nome em portugus a um vocbulo rabe, al-gulla, aro grosso. www.veja.com/sobreplavras 

ESPELHO MEU
LUCIA MANDEL
ESTTICA
 raro, mas existem pessoas com pele to sensvel que no toleram o uso de cidos em tratamentos estticos no inverno. Nesse caso, o mdico pode optar por ativos mais suaves. www.veja.com/espelhomeu 

Esta pgina  editada a partir dos textos publicados por blogueiros e colunistas de VEJA.com


7. EINSTEIN SADE  MIOMA NO  SINNIMO DE IMPEDIMENTO PARA ENGRAVIDAR
Em muitos casos a condio pode ser tratada sem retirada do tero e controlada com medidas simples.

     Vou poder engravidar? Essa  a pergunta mais frequente ouvida pelos ginecologistas logo aps o diagnstico de um mioma. Conhecido tambm como fibroma, esse tumor benigno  um crescimento anmalo do msculo uterino muito comum na populao feminina e pode ser encontrado em 35% das mulheres em idade frtil. Costuma aparecer a partir dos 30 anos, mas tende a regredir com a chegada da menopausa.
     A doena  trs vezes mais frequente em afrodescendentes e tem maior incidncia em pessoas com histrico familiar da doena. So raros, contudo, os casos em que um mioma pode atrapalhar a fertilidade da mulher: apenas 4% daquelas que enfrentam dificuldades para engravidar tm esse tumor. Muitas mulheres com miomas engravidam e a gestao transcorre normalmente.
     Ainda no se sabe ao certo o que provoca o aparecimento do tumor, mas os mdicos reconhecem a estreita relao com o aumento nos nveis de hormnios femininos, principalmente o estrognio.
     Os sintomas mais comuns causados pela presena do mioma so sangramentos intensos durante a menstruao, urgncia de urinar, fortes clicas, dor abaixo do umbigo ou sensao de presso nessa regio e dor durante a relao sexual. No entanto, a ausncia de sintomas tambm  frequente. Por isso, a condio costuma ser descoberta por meio de exames clnicos ou de imagem como a ultrassonografia transvaginal ou a ressonncia magntica plvica.
     Por se tratar de uma doena benigna, o tratamento s  indicado quando h prejuzo para a qualidade de vida da paciente. Nesse caso pode-se optar por cuidar apenas dos sintomas ou do mioma em si.
     Para reduzir o desconforto, so utilizados suplementos de ferro para tratar a anemia causada pelos sangramentos; plulas anticoncepcionais ou dispositivos intrauterinos (DIU) em casos de fluxos menstruais intensos; e medicamentos analgsicos em caso de dor.
     Apesar da retirada do tero ser a nica opo que garante a extino da doena, a miomectomia (cirurgia para extirpar o mioma) vem sendo adotada como a melhor opo de tratamento para mulheres que pretendem engravidar, Essa interveno preserva o tero e a circulao no  prejudicada, reduzindo, assim, os riscos de aborto numa eventual gravidez.
     Se o tratamento no for necessrio, os mdicos recomendam apenas o monitoramento anual ou semestral do tumor. A definio da melhor conduta, porm, deve ser avaliada pelo mdico levando em conta o tamanho e o nmero de miomas, gravidade dos sintomas, idade e planos futuros da mulher: se ela deseja ter filhos e tambm se pretende preservar o tero.

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